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Tem uma que me despertou sentimentos terríveis que até são explicáveis, mas não é preciso explicar. Vou tentar achar. Vi uma vez só, mas penso sobre até hoje.
O quadro "Ophelia" de John Millais.
Honestamente, nunca fui o maior leitor quando o assunto era Shakespeare, mas sempre soube que a morte de Ophelia muito raramente foi interpretada em palco. A morte dela acontece apenas na descrição de Gertrude e não faria muito sentido a recriação dela em peça. Millais no's presenciou com uma imagem, de certo modo, real de como fora aquele momento escrito por Shakespeare. E mais do que isso, ele nos deixou interpretar a realidade de Ophelia. E nunca conseguirei explicar o que sinto toda vez que encaro a obra e algo desperta ou quebra dentro de mim.
Falei hoje da origem do meu nome de usuário no X. Quando você conhece a fundo o que foi o movimento artístico por trás do Refus Global e mergulha um pouco mais na leitura e na arte em geral, acaba trazendo isso um pouco no que acredita. Sempre fui muito ligado a certos movimentos de contracultura, subversividade, anarquia, punk rock, enfim. Uma junção de tudo isso, arte, protesto, vozes. Eu tento explicar além da teoria e do que vai encontrar no livro, mas não dá, tem que viver um pouco isso para entender os porquês.
Sim. Aconteceu comigo quando terminei Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski. Fechei o livro e fiquei um bom tempo em silêncio. Não senti vontade de comentar com ninguém; parecia que qualquer tentativa de explicar diminuiria o que aquela leitura significou para mim.
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