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Acho que sim. Vai de momento, de compreensão, de cada um. Ultimamente, minha própria arte. Não uma em específico, mas tudo que tenho expressado nas minhas telas.
Acredito que a diferença exista.
Consumir todos o acabamos por fazer nos mais singelos momentos do nosso dia a dia. Nós apreciamos arte, por vezes, sem sequer repararmos que é arte.
Acredito, também, que a conexão que sentimos com x obra, diz imenso sobre nós. E não precisa ser necessariamente aos nossos olhos, mas sim aos dos outros. Acredito que a arte tem o poder de nós transformar, mas também de nos ensinar que somos e como somos vistos.
A ultima obra a qual me entreguei? É uma pergunta até que difícil, tenho alguma facilidade em criar conexões com a arte...mas recentemente, voltei a escutar uma música e percebi o quão facilmente ela fala comigo e talvez, sobre mim.
A música é "You're Gonna Go Far" do Noah Kahan.
Sim, só consumir é ok. Qualquer pessoa vai lá e pode dar play em algo, pagar um ingresso, olhar uma obra. Tudo certo! Mas nem todo mundo vai abstrair aquilo e se perguntar no que aquilo se encaixa ou pode se encaixar na sua vida por inteiro a ponto de você querer saber mais, ser aquilo, se apossar para si de algo tão único que te despertou. Permitir que ela te transforme é isso, abstrair, se deixar ser dominado por ela e aprender a domina-la não como quem executa, mas como aquele que tem propriedade para explica-la com fervor, da sua maneira.
Acho que existe uma diferença. Consumir uma obra é acompanhá-la até o fim; permitir que ela nos transforme é continuar pensando nela muito tempo depois da última página. A última que provocou isso em mim foi Nunca Me Deixes, de Kazuo Ishiguro.
Obvsly! Quando você apenas consome você simplesmente fecha os seus olhos e novo dia. Agora quando ela te transforma você sabe que pode levar uma lição, um aprendizado, um tracinho seu que gostaria de desenvolver depois que alguma coisinha diferente despertou etc. Acho que não tem problema algum às vezes só consumir, na verdade eu acho de uma maturidade enorme saber separar o que é legal e faz sentido pra gente e o que só deixar ali como repertório do ladinho. Podemos ser um amontoado de coisas? Sim, mas selecionar é tão legal quanto. Acho que tenho me entregado muito ao que meu namorado tem criado como arte, ele tem inspirações boas, o movimento de onde tudo veio e se idealizou, mergulhei muito de cabeça no underground experimental de Sag e tudo o que criam e fazem ali.
Acho que existe uma diferença enorme. Consumir arte é relativamente fácil; você termina um filme, fecha um livro ou troca de música. Permitir que ela transforme você exige um pouco mais de coragem. Significa aceitar que uma história pode fazer perguntas, invadir os seus pensamentos, te fazer sentir alguma coisa, seja o que for.
Angel-A (Luc Besson, 2005). Achei que fosse assistir a um romance com um toque de fantasia, mas terminei pensando muito mais sobre a forma como tratamos a nós mesmos. Faz tempo que um filme não me fazia ficar em silêncio, precisando de algumas horas antes de conseguir dizer o que tinha achado dele. Acho que esse é o maior elogio que consigo fazer a uma obra.
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